Descumprimento da Lei
Mesmo com a aprovação da Lei do Piso e com o reconhecimento da sua legalidade por parte dos ministros do STF, professores de alguns municípios e estados ainda não recebem o valor estipulado em lei. Ceará, Pará, Goiás e Santa Catarina são alguns exemplos, igualmente em nossa cidade, João Monlevade. O descaso leva os trabalhadores em educação a paralisarem suas atividades, o que vem acontecendo, no momento, em cinco estados do País (Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Minas Gerais)e em nosso município.
No Ceará, professores de nível médio recebem R$ 739,84 para uma jornada de trabalho de 40h semanais. No Pará, pelo mesmo tempo de jornada, eles ganham R$ 1.023,00. Professores de Goiás recebem um salário de R$ 1.006,25 e os de Santa Catarina, apenas R$609,46, para uma jornada de 40h semanais e aqui não chega a R$800,00.Vale ressaltar que o Piso é para uma jornada de, no máximo, 40 horas e no valor R$1187,12,para o ensino médio, segundo o MEC, mas há entendimento contrário dando conta de que o valor tem que ser de R$ 1.597,87,pois o MEC em consonância com a Avocacia Geral da União meteu a mão na Lei e ignorou um repasse no ano de 2010, alegando a crise mundial que,segundo o então presidente da república Luis Inácio Lula da Silva não passsou de uma "marolinha" para o Brasil.Mesmo assim entenderam , ao arrepio da Lei, que nao poderiam e nem deveriam aplicar o reajuste ( valor custo-aluno naquele ano). Portnato, a luta é mais do que necessária, para garantir que os direitos dos milhares de educadores sejam respeitados.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
A verdade sobre o Piso do Magistério.
Os educadores de Minas e do Brasil estão sendo vítimas de um grande calote por parte de governantes das três esferas, com raras exceções. O governo federal é cúmplice por fazer vista grossa e com isso não precisar dispor de recursos para ajudar a pagar o piso. Imaginem se todos os estados e municípios conseguissem provar que não podem pagar e pedissem ajuda ao governo federal? Ele teria que dispor de uma quantia muito maior do que R$ 1 bilhão que anuncia ter reservado para este fim.
Mas, o governo federal sabe que a maioria dos governantes usa de forma incorreta as verbas da Educação e por isso não querem (e não podem) provar que não conseguem pagar o piso, portanto, não podem pedir ajuda ao governo federal.
Como não há instrumentos de fiscalização que funcionem em favor dos educadores - comissões de controle social do FUNDEB não funcionam, Ministério Público, TCs, Legislativos, mídia, etc, são órgãos com pouca utilidade quando se trata de fiscalizar os governos e defender os interesses dos de baixo - os governos escapam impunemente.
A impressão que a gente tem é que este é um país de anjos, de governantes honestíssimos, um exemplo para a humanidade que vive em outros países. Deveríamos até fechar estes órgãos de fiscalização já que por aqui a prática de desvios de dinheiro público e má aplicação de verbas da Educação são coisas raríssimas, quase uma exceção. Então, para quê manter esses órgãos funcionando num país com governantes tão honestos? É gastar dinheiro à toa, não acham?
Mas, o governo federal sabe que a maioria dos governantes usa de forma incorreta as verbas da Educação e por isso não querem (e não podem) provar que não conseguem pagar o piso, portanto, não podem pedir ajuda ao governo federal.
Como não há instrumentos de fiscalização que funcionem em favor dos educadores - comissões de controle social do FUNDEB não funcionam, Ministério Público, TCs, Legislativos, mídia, etc, são órgãos com pouca utilidade quando se trata de fiscalizar os governos e defender os interesses dos de baixo - os governos escapam impunemente.
A impressão que a gente tem é que este é um país de anjos, de governantes honestíssimos, um exemplo para a humanidade que vive em outros países. Deveríamos até fechar estes órgãos de fiscalização já que por aqui a prática de desvios de dinheiro público e má aplicação de verbas da Educação são coisas raríssimas, quase uma exceção. Então, para quê manter esses órgãos funcionando num país com governantes tão honestos? É gastar dinheiro à toa, não acham?
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Míopes e pretenciosos...
"Em qualquer roda de politicos é muito fácil identificar um tucano ou um petista: são os que estão falando bem de si mesmos.
Tão bem que, por vezes, não veem o mal de seus partidos. Em verdade, dois males: excesso de cabeças e carência de miolos."
Tão bem que, por vezes, não veem o mal de seus partidos. Em verdade, dois males: excesso de cabeças e carência de miolos."
domingo, 10 de julho de 2011
O ESGOTAMENTO INTELECTUAL DA FACÇÃO PETISTA - PRANDINISTA.
A facção petista e o governo do doutor Prandini padecem de esgotamento intelectual. Não se trata apenas de desarticulação política, é sobretudo a incapacidade de justificar racionalmente suas posições.
Junta-se meia dúzia de pessoas no Paço Municipal, trocam ideias (se é que são ideias) e tomam decisões desconexas, inexplicáveis. Aqui vai um exemplo.
Recentemente, mesmo com as pesquisas apontando para uma grande insatisfação com esse (des)governo, prefeito e secretário, em um amadorismo sem precedente na história de nossa cidade, levou a categoria do magistério à greve. Esse fato só aconteceu porque o prefeito e o secretário estiveram durante esse tempo de governo fora da discussão do Piso aprovado para o magistério e confirmado pelos guardiões e intérpretes da Constituição, leia-se Supremo Tribunal Federal. E para complicar ainda mais a situação, o secretário com a anuência do prefeito, claro, inventou, isso mesmo, inventou uma tabela fictícia, desrespeitosa e sem discutir com a categoria e o legislativo, apresentou-a para a comunidade de forma escrita, via rádio e se tivessem canal de televisão, com certeza, fá-lo-ia de forma imagética também. Segundo o prefeito e, claro que o secretário deve pensar assim, essa tabela é parte de um plano de cargos e salários sensacional, podendo o professor,caso queira (espero quisesse), tornar-se mestre e até doutor. Tudo isso para ganhar, no máximo, merrecas de aproximadamente catorze reais por aula. Ou secretário e prefeito bateram o pino de vez ou estão pensando que professor não tem massa cinzenta. Prefiro ficar com a segunda hipótese, afinal, teremos que aguentar esse amadorismo irresponsável por mais algum tempo e que nos parecerão uma eternidade.
Tudo isso num país em que quase todos os gestores fingem que aplicam na educação o que deveria aplicar e acredito que aqui não seja diferente. Sabemos que tudo não passa de uma maquiagem apenas, pois a verba da educação é o suficiente para pagar com decência o salário para os professores dos 5,5 mil municípios e criar infraestrutura para as escolas, o que levaria o país a obter, de vez, o passaporte para o mundo desenvolvido, pelo menos no quesito Educação. Mas não parece ser isso que querem esses políticos de araque. Construções de cadeias, violência de toda sorte, sociedade desestruturada e desqualificada para o mercado de trabalho, tudo isso devem almejar esse tipo de político.
Conversas miúdas dão conta de que o secretário teria dito, também não sei para quem, deve ser para o seu chefe imediato, que colocaria os professores em sala de aula com dois dias, caso a greve fosse deflagrada. Fiquei sabendo também que truculência, intolerância e muita verborragia foram praticadas na mesa de negociação. O que não me causa nenhuma surpresa, caso seja verdade, pois prova disso o secretário demonstrou no cansativo show verborrágico e amador, quando da audiência pública realizada no dia 07/07 na Câmara Municipal.
É comum que os governos não façam o que devem. A exaustão intelectual petista - prandinista diante da agenda de educação pública é mais que isso. Trata-se de não fazer nada e de não discutir coisa alguma, muito menos para admitir que a proposta do governo anterior, de longe, era infinitamente melhor do que tudo que eles fizeram até agora e acredito que continuarão a não fazer nada pela educação a não ser com a luta dos mestres, ainda que cansados de tanta tramóia e desvalorização por parte de alguns políticos.
Junta-se meia dúzia de pessoas no Paço Municipal, trocam ideias (se é que são ideias) e tomam decisões desconexas, inexplicáveis. Aqui vai um exemplo.
Recentemente, mesmo com as pesquisas apontando para uma grande insatisfação com esse (des)governo, prefeito e secretário, em um amadorismo sem precedente na história de nossa cidade, levou a categoria do magistério à greve. Esse fato só aconteceu porque o prefeito e o secretário estiveram durante esse tempo de governo fora da discussão do Piso aprovado para o magistério e confirmado pelos guardiões e intérpretes da Constituição, leia-se Supremo Tribunal Federal. E para complicar ainda mais a situação, o secretário com a anuência do prefeito, claro, inventou, isso mesmo, inventou uma tabela fictícia, desrespeitosa e sem discutir com a categoria e o legislativo, apresentou-a para a comunidade de forma escrita, via rádio e se tivessem canal de televisão, com certeza, fá-lo-ia de forma imagética também. Segundo o prefeito e, claro que o secretário deve pensar assim, essa tabela é parte de um plano de cargos e salários sensacional, podendo o professor,caso queira (espero quisesse), tornar-se mestre e até doutor. Tudo isso para ganhar, no máximo, merrecas de aproximadamente catorze reais por aula. Ou secretário e prefeito bateram o pino de vez ou estão pensando que professor não tem massa cinzenta. Prefiro ficar com a segunda hipótese, afinal, teremos que aguentar esse amadorismo irresponsável por mais algum tempo e que nos parecerão uma eternidade.
Tudo isso num país em que quase todos os gestores fingem que aplicam na educação o que deveria aplicar e acredito que aqui não seja diferente. Sabemos que tudo não passa de uma maquiagem apenas, pois a verba da educação é o suficiente para pagar com decência o salário para os professores dos 5,5 mil municípios e criar infraestrutura para as escolas, o que levaria o país a obter, de vez, o passaporte para o mundo desenvolvido, pelo menos no quesito Educação. Mas não parece ser isso que querem esses políticos de araque. Construções de cadeias, violência de toda sorte, sociedade desestruturada e desqualificada para o mercado de trabalho, tudo isso devem almejar esse tipo de político.
Conversas miúdas dão conta de que o secretário teria dito, também não sei para quem, deve ser para o seu chefe imediato, que colocaria os professores em sala de aula com dois dias, caso a greve fosse deflagrada. Fiquei sabendo também que truculência, intolerância e muita verborragia foram praticadas na mesa de negociação. O que não me causa nenhuma surpresa, caso seja verdade, pois prova disso o secretário demonstrou no cansativo show verborrágico e amador, quando da audiência pública realizada no dia 07/07 na Câmara Municipal.
É comum que os governos não façam o que devem. A exaustão intelectual petista - prandinista diante da agenda de educação pública é mais que isso. Trata-se de não fazer nada e de não discutir coisa alguma, muito menos para admitir que a proposta do governo anterior, de longe, era infinitamente melhor do que tudo que eles fizeram até agora e acredito que continuarão a não fazer nada pela educação a não ser com a luta dos mestres, ainda que cansados de tanta tramóia e desvalorização por parte de alguns políticos.
Ministro dos Transportes.Carreira repleta de acusações.
QUANDO O SUJEITO NASCE PRA SER LADRÃO, NÃO TEM JEITO.
ESSE DEVERIA ROUBAR A MERENDA DOS COLEGUINHAS DE JARDIM DE INFÂNCIA.
ESSE DEVERIA ROUBAR A MERENDA DOS COLEGUINHAS DE JARDIM DE INFÂNCIA.
Entre um insulto e outro ...
É lamentável que o deputado estadual,Zé Maia(PSDB, agarre-SE à imunidade parlamentar e se ache no direito de usar o seu mandato para insultar educadores, dizendo que são “desequilibrados” e “despreparados”; que deveriam ser “trocados”, insinuando que isso seria uma condição para que houvesse negociação e que para ele, a forma como servidores públicos protestavam naquela reunião só poderia se justificar pela ingestão de alguma “substância” que fosse “não natural do ser humano”.
Ele deveria ficar mais atento ao que o seu partido tem feito com a educação mineira: em 2009 investiu 20,15% em educação, enquanto a Constituição Federal determina o percentual mínimo de 25%, faltam 1 milhão e meio de vagas na educação básica, a privatização do ensino médio profissionalizante, pagamento de vencimento básico de R$369,00 a um professor mineiro. É esta a dívida do Governo de Minas desde Aécio Neves que o Deputado, com os insultos, tentou nos calar durante a Audiência Pública.
Ele deveria ficar mais atento ao que o seu partido tem feito com a educação mineira: em 2009 investiu 20,15% em educação, enquanto a Constituição Federal determina o percentual mínimo de 25%, faltam 1 milhão e meio de vagas na educação básica, a privatização do ensino médio profissionalizante, pagamento de vencimento básico de R$369,00 a um professor mineiro. É esta a dívida do Governo de Minas desde Aécio Neves que o Deputado, com os insultos, tentou nos calar durante a Audiência Pública.
sábado, 2 de julho de 2011
O limite entre o público e o privado
LIMITES - linha ou ponto divisório; linha de demarcação etc
O que importa apenas à intimidade pessoal e o que pode e/ou deve ser levado ao convívio social? E mais:o que,da privacidade dos pais, é interessante compartilhar com os filhos – e vice-versa - e o que seria mais adequado ser levado apenas às pessoas de mesma geração, como amigos ou companheira(o), por exemplo? Hoje, o limite entre vida privada e vida pública está tão confuso que fica complicado, porque não dizer difícil, responder sem pestanejar a essas questões. E é bom lembrar que a educação que damos a filhos e alunos é marcada por essas questões.
Quem nunca observou casais de jovens –novos até – em um relacionamento que caberia bem melhor em local privado por ser considerado íntimo? E, em geral, a reação que temos ao testemunhar esse tipo de cena é a de moralizar o comportamento dos jovens. É fácil dizer ou pensar nessa hora, que eles não sabem respeitar o publico, que não têm vergonha, etc.
Adulto adora moralizar o comportamento de jovens e nem sempre se dá conta de que o que eles fazem foi a eles ensinado por nós, de um jeito ou de outro. Por exemplo: qual a diferença entre assisti a uma cena mais ousada entre dois adolescentes que agem assim em pleno espaço público e ouvir, em situação semelhante, uma briga de casal que se desenrola pelo celular ou numa mesa de bar? Aliás, quem é que já não teve que compartilhar conversas íntimas em situações desse tipo? E o mais interessante é que o constrangimento fica mais por conta de quem ouve do que de quem vive a cena, não é verdade?
Bem, mas como tem sido bem difícil aos adultos construir e delimitar a privacidade, do mesmo modo tem sido difícil saber como e o que ensinar aos filhos a esse respeito.
Para ilustrar isso, darei um exemplo de uma mãe que me procurou juntamente com sua filha de 14 anos, que, ao ser interpelada pela mãe sobre um possível namoro “escandaloso” na rua, perguntou pra mãe se o que fizera seria diferente do que ela (mãe) e seu pai faziam também. A mãe disse que não, eles faziam coisas desse tipo e outras, só que essas cenas de intimidade eram compartilhadas no quarto do casal. Embora a intenção dessa mãe tenha sido boa, querendo dar uma lição de privacidade, passar para a filha a idéia de que há coisas que não se fazem na frente dos outros, já que interessam apenas aos envolvidos, é preciso lembrar que uma boa intenção nem sempre toma a forma de uma boa ação. O que a mãe conseguiu agindo como agiu foi expor a intimidade dela e do marido à filha, mesmo que com palavras. Ela não se deu conta - justamente pela confusão em q vivemos - que intimidade não se restringe ao que se vê,mas ao que se ouve também. Ela não se deu conta de que há um limite entre a vida do casal e a dos filhos que deve ser preservado,mesmo com custo.
Quando a interpelei lembrando que ela poderia te respondido à filha que esse assunto não era da conta dela, ela reagiu com veemência dizendo que não queria de modo algum, ser uma mãe autoritária.
E aí nos defrontamos com outra confusão típica de nossos dias. Afinal qual é a fronteira entre relações mais democráticas, considerando-se a tarefa educativa dos pais?
Ainda aproveitando o exemplo dado, podemos vislumbrar uma pista. Pais autoritários não permitiriam ao filho que se abordasse o assunto “sexo” com eles. Pais mais democráticos aceitam, sim, dialogar sobre o tema, mas numa abordagem sócio-cultural e não da intimidade da vida de cada um. E é bom lembrar que o inverso também tem acontecido; muitos pais extrapolam seu papel e sua tarefa educativa quando esmiúçam a vida íntima dos filhos. E nem adianta usar o argumento da necessidade de orientação: é perfeitamente possível orientar os filhos sem ter de saber detalhes da vida sexual ou amorosa deles.
Vale ressaltar que, apesar de o tema ter sido abordado no âmbito das relações humanas, serve também para as nossas funções trabalhistas e políticas. Inclusive na política, que anda muito vulnerável, devido à existência, via de regra, de atitudes e comportamentos nada éticos de muitos políticos como vem sendo demonstrado ao longo desses quinhentos anos de Brasil.
O que importa apenas à intimidade pessoal e o que pode e/ou deve ser levado ao convívio social? E mais:o que,da privacidade dos pais, é interessante compartilhar com os filhos – e vice-versa - e o que seria mais adequado ser levado apenas às pessoas de mesma geração, como amigos ou companheira(o), por exemplo? Hoje, o limite entre vida privada e vida pública está tão confuso que fica complicado, porque não dizer difícil, responder sem pestanejar a essas questões. E é bom lembrar que a educação que damos a filhos e alunos é marcada por essas questões.
Quem nunca observou casais de jovens –novos até – em um relacionamento que caberia bem melhor em local privado por ser considerado íntimo? E, em geral, a reação que temos ao testemunhar esse tipo de cena é a de moralizar o comportamento dos jovens. É fácil dizer ou pensar nessa hora, que eles não sabem respeitar o publico, que não têm vergonha, etc.
Adulto adora moralizar o comportamento de jovens e nem sempre se dá conta de que o que eles fazem foi a eles ensinado por nós, de um jeito ou de outro. Por exemplo: qual a diferença entre assisti a uma cena mais ousada entre dois adolescentes que agem assim em pleno espaço público e ouvir, em situação semelhante, uma briga de casal que se desenrola pelo celular ou numa mesa de bar? Aliás, quem é que já não teve que compartilhar conversas íntimas em situações desse tipo? E o mais interessante é que o constrangimento fica mais por conta de quem ouve do que de quem vive a cena, não é verdade?
Bem, mas como tem sido bem difícil aos adultos construir e delimitar a privacidade, do mesmo modo tem sido difícil saber como e o que ensinar aos filhos a esse respeito.
Para ilustrar isso, darei um exemplo de uma mãe que me procurou juntamente com sua filha de 14 anos, que, ao ser interpelada pela mãe sobre um possível namoro “escandaloso” na rua, perguntou pra mãe se o que fizera seria diferente do que ela (mãe) e seu pai faziam também. A mãe disse que não, eles faziam coisas desse tipo e outras, só que essas cenas de intimidade eram compartilhadas no quarto do casal. Embora a intenção dessa mãe tenha sido boa, querendo dar uma lição de privacidade, passar para a filha a idéia de que há coisas que não se fazem na frente dos outros, já que interessam apenas aos envolvidos, é preciso lembrar que uma boa intenção nem sempre toma a forma de uma boa ação. O que a mãe conseguiu agindo como agiu foi expor a intimidade dela e do marido à filha, mesmo que com palavras. Ela não se deu conta - justamente pela confusão em q vivemos - que intimidade não se restringe ao que se vê,mas ao que se ouve também. Ela não se deu conta de que há um limite entre a vida do casal e a dos filhos que deve ser preservado,mesmo com custo.
Quando a interpelei lembrando que ela poderia te respondido à filha que esse assunto não era da conta dela, ela reagiu com veemência dizendo que não queria de modo algum, ser uma mãe autoritária.
E aí nos defrontamos com outra confusão típica de nossos dias. Afinal qual é a fronteira entre relações mais democráticas, considerando-se a tarefa educativa dos pais?
Ainda aproveitando o exemplo dado, podemos vislumbrar uma pista. Pais autoritários não permitiriam ao filho que se abordasse o assunto “sexo” com eles. Pais mais democráticos aceitam, sim, dialogar sobre o tema, mas numa abordagem sócio-cultural e não da intimidade da vida de cada um. E é bom lembrar que o inverso também tem acontecido; muitos pais extrapolam seu papel e sua tarefa educativa quando esmiúçam a vida íntima dos filhos. E nem adianta usar o argumento da necessidade de orientação: é perfeitamente possível orientar os filhos sem ter de saber detalhes da vida sexual ou amorosa deles.
Vale ressaltar que, apesar de o tema ter sido abordado no âmbito das relações humanas, serve também para as nossas funções trabalhistas e políticas. Inclusive na política, que anda muito vulnerável, devido à existência, via de regra, de atitudes e comportamentos nada éticos de muitos políticos como vem sendo demonstrado ao longo desses quinhentos anos de Brasil.
Assinar:
Postagens (Atom)
